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O BODE, O HOMEM, O FIM DA HISTÓRIA
Dizem que a história É finda. mas ela está A dois pés da esquina O demo vem junto A levar as culpas do homem Pelas veias do mundo Tão nobre serviço É conhecido há séculos Já antes de Homero Não é novo, portanto Esse arranjo engenhoso De transferir culpas E como engenheiro Vem o homem - a exibir Somente os acertos Exibido assim (À custa de outrem) o bípede Acumula prêmios Mas desde o paraíso O demo (tal qual a morte) É gênio enxadrista Dedica-se ao jogo E avança sobre saberes
24 de jul.1 min de leitura


SYDERADO
Desaparecido De nossa vista, brilha ainda Syderado o amigo Sumido há tempos Ainda brilha loucamente A evitar hospícios Brilha loucamente Como exposto brilharia Um diamante fino Como brilharia Um astro novo no palco Da nossa Via Láctea Fará algum sentido Homenagem que se faça Hoje ao ex-amigo? O que diria Proust? É possível se perdoar Pelos dias perdidos? E mais importante: Que diria o enlouquecido Sem a fluência de antes? Dizer... não diria Solfejaria seus acordes No céu com
7 de jul.1 min de leitura


MÚLTIPLOS TALENTOS
Pesa muito ainda sobre nós O furto do fogo sagrado Que pesa tanto quanto o outro Pelo qual subtraímos da morte Ferramentas de seu trabalho Furtos e os outros muitos crimes Isolados não nos definem Pois o uso variável de faces Realça boas e más qualidades Tantas são as máscaras possíveis Com talentos próprios de ator Podemos mesmo parecer Consternados pelo que somos Feito loucos de olhos vidrados A murmurar: o horror! O horror! E com talentos de escultor Podemos até embelezar
25 de jun.1 min de leitura


ESTOICOS
Reverentes a Sócrates Os estoicos, na origem Reuniam-se sob um pórtico Que lhes daria passagem Entre pilares sólidos Rumo à sabedoria Pretendiam uma forma De fortalecimento Próprio, particular De contenção dos danos Sem resgatar escravos Nem derrubar tiranos Produziram sem pressa Escudos invisíveis Rotas de fuga, lâminas De suprimir excessos Souberam bem dormir Até em camas de pregos Eles, a Cesar, deram O que não era dos deuses Desfrutaram as dádivas Recebidas da terra E der
8 de jun.1 min de leitura


MUSA SOBERANA
Não me venha hoje Ó poesia! Deixe que o dia Pareça divórcio Não me venha agora Pois a hora é mais propícia Ao ócio não criativo Não imponha o poema Paciência também é força Faça outras pausas Mantenha-se assim Ao largo - como procedem Os não convidados Mantenha distância Experimente a prudência De se demorar Não me venha célere Com suas urgências e sílabas Que riscam os céus Tenha a disciplina Do solista conduzido sob regência alheia Para mim não venha Feito castigo heroico D
25 de mai.1 min de leitura


MADEIRA - MAMORÉ
A estrada veio pela força À luz de pretenso direito Um começo em terras incultas A demarcar o próprio tempo Preparando-a, deu-se o tombo De gigantes - logo seguido Pelo deslizar impactante Do peso sobre qualquer broto De sacrifício em sacrifício Chegou a lua de amaldiçoar Tudo o que insistia em voltar (Insistência bem natural) Também natural era a dor Que seguia paralela aos trilhos Com impropérios contra os céus E tudo o que ali havia Tomou-se então como normal Esse inconfor
8 de mai.1 min de leitura


BRISAS E VENTANIAS
Tão simples quanto antiga A brisa passa rente A este que ainda sou Ganho assim de bom grado O sopro rente ao rosto: Leve estou na manhã...
22 de abr.1 min de leitura
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