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TRÔPEGO SONETO
Cessem as fanfarras de literatos E o relato de glórias macabras Render-se em homenagens vazias Não é desfecho digno, ó poesia! Renda-se apenas ao riso fácil Ou perante o choro solidário Tenha arrimo firme no trabalho E também no ócio dito criativo Sob o crivo da razão ou dos sonhos (Sem prejuízo à mística cristã) Retenha a sua herança pagã Em suas tantas vestimentas possíveis Sejam mantras, orações, aforismos... Venha plena de signos, ó poesia! Talvez o criador da primeira fo
há 3 dias1 min de leitura


DE METAL E CARNE
A virilidade Extrai por entre violências Seu modelo estético Por entre contendas Prontamente atrai olhares Diretos e oblíquos Dita suas sentenças Seja em terra ou no mar Ao engatilhar armas Da própria existência Toma as rédeas a cantar Em alto e bom som São de malquerença Os versos da canção - troças Em forma de música Canta sem razão Excitação nua de culpas Nula nos dilemas Posta-se o viril Feito nódoa na paisagem (Miragem sensual) Porta-se tal qual Prenda valiosa perante De
26 de ago.1 min de leitura


O CASAL QUE SOMOS
Não se tenha por estranho O casal que hoje somos Antes tenha como bônus O que inútil parecia Focos de poesia no vínculo Tenha-se por merecido (À luz de sina ditosa) O enlace ter-se mantido Em boa forma - sem lamentos Nas limitações de agora Manteve-se assim a dupla Fora dos laços de sangue Ou da simples amizade Embora com eles guarde Vários traços em comum A mesma dupla que guarda (Não por mesquinharia) partes Mínimas de quase tudo Como fazem os artistas Com o resto de suas t
7 de ago.1 min de leitura


O BODE, O HOMEM, O FIM DA HISTÓRIA
Dizem que a história É finda. mas ela está A dois pés da esquina O demo vem junto A levar as culpas do homem Pelas veias do mundo Tão nobre serviço É conhecido há séculos Já antes de Homero Não é novo, portanto Esse arranjo engenhoso De transferir culpas E como engenheiro Vem o homem - a exibir Somente os acertos Exibido assim (À custa de outrem) o bípede Acumula prêmios Mas desde o paraíso O demo (tal qual a morte) É gênio enxadrista Dedica-se ao jogo E avança sobre saberes
24 de jul.1 min de leitura


SYDERADO
Desaparecido De nossa vista, brilha ainda Syderado o amigo Sumido há tempos Ainda brilha loucamente A evitar hospícios Brilha loucamente Como exposto brilharia Um diamante fino Como brilharia Um astro novo no palco Da nossa Via Láctea Fará algum sentido Homenagem que se faça Hoje ao ex-amigo? O que diria Proust? É possível se perdoar Pelos dias perdidos? E mais importante: Que diria o enlouquecido Sem a fluência de antes? Dizer... não diria Solfejaria seus acordes No céu com
7 de jul.1 min de leitura


MÚLTIPLOS TALENTOS
Pesa muito ainda sobre nós O furto do fogo sagrado Que pesa tanto quanto o outro Pelo qual subtraímos da morte Ferramentas de seu trabalho Furtos e os outros muitos crimes Isolados não nos definem Pois o uso variável de faces Realça boas e más qualidades Tantas são as máscaras possíveis Com talentos próprios de ator Podemos mesmo parecer Consternados pelo que somos Feito loucos de olhos vidrados A murmurar: o horror! O horror! E com talentos de escultor Podemos até embelezar
25 de jun.1 min de leitura


ESTOICOS
Reverentes a Sócrates Os estoicos, na origem Reuniam-se sob um pórtico Que lhes daria passagem Entre pilares sólidos Rumo à sabedoria Pretendiam uma forma De fortalecimento Próprio, particular De contenção dos danos Sem resgatar escravos Nem derrubar tiranos Produziram sem pressa Escudos invisíveis Rotas de fuga, lâminas De suprimir excessos Souberam bem dormir Até em camas de pregos Eles, a Cesar, deram O que não era dos deuses Desfrutaram as dádivas Recebidas da terra E der
8 de jun.1 min de leitura
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