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PERFECCIONISMO
Talvez tenha mesmo Desistido de alguns poemas Feitos com bons versos Talvez tenha agido Com excesso de rigor Por mero capricho Mas do poeta é próprio Cortar ou repor os versos Sem expor motivos Sem expor critérios Do que se destina ao lixo Ou às folhas do livro O poeta é um tipo De déspota que perdoa erros E deplora os dele Déspota caseiro Com monólogos bem postos Perante o espelho Daí (tal qual os duplos) O poeta ganha duas vozes Uma mais severa Não por sedução Dá-se a adesã
há 1 dia1 min de leitura


O DINHEIRO DA POESIA
Não havia dinheiro (Ou pressa em tê-lo no bolso) Nem bens materiais Havia sinais óbvios De uma deficiência inata Para buscar ouro Não havia bom uso De energia para fins práticos Passava-se ao largo Havia inquietação (Dos pais) perante um futuro Que parecia nulo Não havia sinais De que a vida no final Seria confortável Havia desperdício Tempo de inutilidades Até de poesias Mas a vida (às vezes) Manda mensagens cifradas Ri das profecias Concede a (prováveis) Perdedores alguns d
12 de out.1 min de leitura


QUEM CASA, QUER CASA
Por mais unido o casal A casa guarda dois mundos Juntos que sejam, são dois Sob o abrigo de um teto É certo que a casa sabe Tratá-los como filho único E procede dessa forma Sem negar as dualidades Assim: aos filhos que são um Não há espaços interditos Há gavetas separadas E recantos preferidos Há ritos próprios (distintos Mesmo quando convergentes) A casa compreende bem Esses ínfimos detalhes Mas trata com má vontade A ideia de laços finitos Além disso, não concebe Ser soment
25 de set.1 min de leitura


TRÔPEGO SONETO
Cessem as fanfarras de literatos E o relato de glórias macabras Render-se em homenagens vazias Não é desfecho digno, ó poesia! Renda-se apenas ao riso fácil Ou perante o choro solidário Tenha arrimo firme no trabalho E também no ócio dito criativo Sob o crivo da razão ou dos sonhos (Sem prejuízo à mística cristã) Retenha a sua herança pagã Em suas tantas vestimentas possíveis Sejam mantras, orações, aforismos... Venha plena de signos, ó poesia! Talvez o criador da primeira fo
9 de set.1 min de leitura


DE METAL E CARNE
A virilidade Extrai por entre violências Seu modelo estético Por entre contendas Prontamente atrai olhares Diretos e oblíquos Dita suas sentenças Seja em terra ou no mar Ao engatilhar armas Da própria existência Toma as rédeas a cantar Em alto e bom som São de malquerença Os versos da canção - troças Em forma de música Canta sem razão Excitação nua de culpas Nula nos dilemas Posta-se o viril Feito nódoa na paisagem (Miragem sensual) Porta-se tal qual Prenda valiosa perante De
26 de ago.1 min de leitura


O CASAL QUE SOMOS
Não se tenha por estranho O casal que hoje somos Antes tenha como bônus O que inútil parecia Focos de poesia no vínculo Tenha-se por merecido (À luz de sina ditosa) O enlace ter-se mantido Em boa forma - sem lamentos Nas limitações de agora Manteve-se assim a dupla Fora dos laços de sangue Ou da simples amizade Embora com eles guarde Vários traços em comum A mesma dupla que guarda (Não por mesquinharia) partes Mínimas de quase tudo Como fazem os artistas Com o resto de suas t
7 de ago.1 min de leitura


O BODE, O HOMEM, O FIM DA HISTÓRIA
Dizem que a história É finda. mas ela está A dois pés da esquina O demo vem junto A levar as culpas do homem Pelas veias do mundo Tão nobre serviço É conhecido há séculos Já antes de Homero Não é novo, portanto Esse arranjo engenhoso De transferir culpas E como engenheiro Vem o homem - a exibir Somente os acertos Exibido assim (À custa de outrem) o bípede Acumula prêmios Mas desde o paraíso O demo (tal qual a morte) É gênio enxadrista Dedica-se ao jogo E avança sobre saberes
24 de jul.1 min de leitura
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