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A BÊNÇÃO E O POETA

  • Foto do escritor: Jorge Amorim
    Jorge Amorim
  • 26 de jan.
  • 1 min de leitura

Um poeta vanguardista

Tão surreal quanto errático

Errou em dias de Brasil


Como também errou

Por paisagens diversas

Desde os dias de Paris


Malvisto em sua terra

Na vida, no paraíso,

Saiu expulso daqui


Mas não deixou por menos

Obsceno e elevado

Abençoou indesejáveis


Deu-lhes (como se fora

Um bom padre) a bênção

Que só existe nos poemas


Deu-lhes bênção solene

(A mais plena: pagã)

E ganhou outra idêntica


Recebeu-a dos pajés

Através de políticos

E artistas do Brasil


Neste país viu de perto

A deglutição épica

De todos os equívocos


Com política, com arte

Fez imersão completa

Em águas aflitivas


Nadou por aqui o poeta




Benjamin Péret, fotografia pulicada no livro Nadja, de André Breton, Ed. Guanabara
Benjamin Péret, fotografia pulicada no livro Nadja, de André Breton, Ed. Guanabara

 
 
 

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