MUSA SOBERANA
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Não me venha hoje
Ó poesia! Deixe que o dia
Pareça divórcio
Não me venha agora
Pois a hora é mais propícia
Ao ócio não criativo
Não imponha o poema
Paciência também é força
Faça outras pausas
Mantenha-se assim
Ao largo - como procedem
Os não convidados
Mantenha distância
Experimente a prudência
De se demorar
Não me venha célere
Com suas urgências e sílabas
Que riscam os céus
Tenha a disciplina
Do solista conduzido
sob regência alheia
Para mim não venha
Feito castigo heroico
De pedra e ladeira
Não me venha déspota
Permita-me dar-lhe apenas
Atenção discreta
Venha não sei quando
(Na brisa, de preferência)
Com opções ao poeta
Aprenda a só ser
Mais um dos meus interesses
E respeite o resto
Não queira ser peso
Que eu carregue - se quiser
Que me seja leve!

A musa Calíope. Detalhe do quadro de Simon Vouet. Wikipedia.




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