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MUSA SOBERANA

  • há 1 dia
  • 1 min de leitura

Não me venha hoje

Ó poesia! Deixe que o dia

Pareça divórcio


Não me venha agora

Pois a hora é mais propícia

Ao ócio não criativo


Não imponha o poema

Paciência também é força

Faça outras pausas


Mantenha-se assim

Ao largo - como procedem

Os não convidados


Mantenha distância

Experimente a prudência

De se demorar


Não me venha célere

Com suas urgências e sílabas

Que riscam os céus


Tenha a disciplina

Do solista conduzido

sob regência alheia


Para mim não venha

Feito castigo heroico

De pedra e ladeira


Não me venha déspota

Permita-me dar-lhe apenas

Atenção discreta


Venha não sei quando

(Na brisa, de preferência)

Com opções ao poeta


Aprenda a só ser

Mais um dos meus interesses

E respeite o resto


Não queira ser peso

Que eu carregue - se quiser

Que me seja leve!


A musa Calíope. Detalhe do quadro de Simon Vouet. Wikipedia.

 
 
 

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