O BODE, O HOMEM, O FIM DA HISTÓRIA
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Dizem que a história
É finda. mas ela está
A dois pés da esquina
O demo vem junto
A levar as culpas do homem
Pelas veias do mundo
Tão nobre serviço
É conhecido há séculos
Já antes de Homero
Não é novo, portanto
Esse arranjo engenhoso
De transferir culpas
E como engenheiro
Vem o homem - a exibir
Somente os acertos
Exibido assim
(À custa de outrem) o bípede
Acumula prêmios
Mas desde o paraíso
O demo (tal qual a morte)
É gênio enxadrista
Dedica-se ao jogo
E avança sobre saberes
Da vida humana
Na jogada próxima
O gênio repassará
Ao dono sua carga
Estará enfim posta
A mesa para os trabalhos
Do fim da história
Labor destinado
A quem criou totens, tabus
E bode expiatório
Um criador narcísico
Refletido com suas máculas
Em espelhos d´água
Um ser para sempre
Desnudo - até quando surge
Sob capas de luxo
Rei de nudez plena
Não apropriada pelas artes
Nem por qualquer ciência
A nudez de cair
Por terra e não confirmar
Promessas de voo
A queda anunciada
O beijo no pó - nas patas
Do bode expiatório
A saga, porém
Não terminou ainda - está
A dois pés da esquina





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