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O BODE, O HOMEM, O FIM DA HISTÓRIA

  • há 1 dia
  • 1 min de leitura

Dizem que a história

É finda. mas ela está

A dois pés da esquina


O demo vem junto

A levar as culpas do homem

Pelas veias do mundo


Tão nobre serviço

É conhecido há séculos

Já antes de Homero


Não é novo, portanto

Esse arranjo engenhoso

De transferir culpas


E como engenheiro

Vem o homem - a exibir

Somente os acertos


Exibido assim

(À custa de outrem) o bípede

Acumula prêmios


Mas desde o paraíso

O demo (tal qual a morte)

É gênio enxadrista


Dedica-se ao jogo

E avança sobre saberes

Da vida humana


Na jogada próxima

O gênio repassará

Ao dono sua carga


Estará enfim posta

A mesa para os trabalhos

Do fim da história


Labor destinado

A quem criou totens, tabus

E bode expiatório


Um criador narcísico

Refletido com suas máculas

Em espelhos d´água


Um ser para sempre

Desnudo - até quando surge

Sob capas de luxo


Rei de nudez plena

Não apropriada pelas artes

Nem por qualquer ciência


A nudez de cair

Por terra e não confirmar

Promessas de voo


A queda anunciada

O beijo no pó - nas patas

Do bode expiatório


A saga, porém

Não terminou ainda - está

A dois pés da esquina


Recorte da capa do livro O Valeroso Lucideno, do Frei Manoel do Salvador, CEPE Editora.
Recorte da capa do livro O Valeroso Lucideno, do Frei Manoel do Salvador, CEPE Editora.



 
 
 

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